A começar em mim

Um aprendizado constante que tenho ao me aprofundar e explorar todas as potências da Comunicação Não-Violenta (CNV) é que tudo começa em mim.

Lembro de sair do meu primeiro Curso de CNV com tantos recursos, tantos conceitos, tanto que comecei a julgar que os outros tinham pouco. Comecei a achar que os outros deveriam saber lidar melhor com as conversas difíceis, que estavam sendo “chacais”, que lhes faltava escutar a mensagem de suas emoções, se responsabilizarem por suas necessidades e poxa, custa ser mais empático aqui?

Levou um tempo e alguns conflitos desagradáveis para perceber que esta história que estava me contanto não contribuía para o que eu mais queria: relações mais saudáveis.

Tudo começa em como eu vivencio a situação e em como eu escolho reagir a ela.

Não adianta saber Comunicação Não-Violenta. Querer viver a partir da consciência que ela propõe é um movimento de escolha e exploração contínua, na minha percepção. Acho que isso me trouxe alguns insights que gostaria de compartilhar com vocês:

1 – Não tem fim

Hoje não vejo uma “linha de chegada” na minha prática e no meu estudo. Um tempo atrás, quando fui estudar budismo aprendi o conceito de “mente de principiante” e é assim que quero viver esta jornada que é a CNV. Reconhecendo que cada novo diálogo, cada conflito é um espaço de aprendizagem, que cada curso é a chance de aprender algo novo sobre mim mesma e me aprofundar no meu ser que está sempre em transformação.

2 – É preciso estar consciente para escolher

Se estou no meu piloto automático, se esqueço de checar como estou, abro mão do meu poder de escolha e sigo na inércia da emoção ou das minhas crenças. Ter espaços e momentos de “check-in”, seja numa meditação, seja num exercício de autoconexão ou em um novo curso (que é minha estratégia favorita), faz toda diferença na minha capacidade de ter mais consciência de mim mesma e de escolher os caminhos coerentes aos meus valores e necessidades.

3 – Vou falhar

É isso. Vou dar aquela escorregada, vou falar num tom de voz que não gosto, vou soltar palavras que estimulam dor, como uma aluna uma vez disse vou ver a “CNV pulando da varanda”. Faz parte. Agora como viver estes momentos de incoerência do que gostaria, aí está um ponto-chave. A “mente de principiante” ou também chamada de “mente de aprendiz” ajuda. Não me cobrar taaanto, mas sempre estar curiosa de quais caminhos podem nutrir a vida e o comportamento que quero.

4 – Não preciso caminhar só

Tudo começa em mim, mas sozinha vai tudo acabar em mim também. Me cercar de pessoas, professores, referencias, grupos de prática. Ter ao meu lado alguém que me lembre de quem sou, que me acolha e me inspire. Como isso dá forças para todos os itens acima.

Acho que este último ponto é o que me motiva a escrever este texto. É partilhar coisas que podem ser simples, mas que hoje me apoiam. E não estar só nessa exploração. Que juntos consigamos manter a persistência de começar em nós a nova relação que queremos viver e que juntos a gente possa recomeçar também, quantas vezes for preciso.


Autora: Nolah Lima

Brasília - DF

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