Como falar para ser compreendido?

Sabemos como falar, é tão natural. Mas ser compreendido já não é tão simples. Você já teve a sensação esquisita de falar o óbvio, mas a outra pessoa ainda assim não entende nada? Ou pior, não só não entendeu como ficou super chateada? Felizmente, você não está sozinho nessa! Esse fenômeno é mais comum do que imaginamos, tanto é que Marshall Rosenberg, sintetizador da Comunicação Não-Violenta (CNV), investigou a fundo as razões para isso acontecer e encontrou formas para falar e ser compreendido. Vamos explorar algumas delas neste texto. Começando por:


Entre como falar e ser compreendido há um longo caminho


Frequentemente não encontramos como falar aquilo que realmente gostaríamos que a outra pessoa entendesse. Falamos muitas coisas, mas será que o que eu falo é o que realmente quero dizer? Será que estou tocando no ponto chave para mim nessa conversa? Essas são algumas indagações que podemos fazer antes mesmo de abrir um diálogo com alguém. Visto que, se nem eu mesmo sei o que quero quando me expresso, quando não sei o que aquilo que digo significa para mim, e até mais importante, quando não sei como o que eu falo pode servir à minha vida, então já começamos a conversa com uma alta probabilidade de não ser compreendido.


Pode parecer um tanto evidente, certo? O famoso "conhece-te a ti mesmo", mas nem sempre compreendemos o porquê isso pode ser relevante numa conversa. Antes de querer que o outro me entenda, será que eu me entendi? Não afirmo isso no sentido existencial da vida (risos), até porque seria impossível nos comunicarmos se fosse preciso entender a profundidade do meu inconsciente primeiro, dos meus traumas e padrões para que aí sim pudesse me expressar. Não se trata disso. Marshall Rosenberg trouxe algo muito mais simples e aplicável no processo da Comunicação Não-Violenta (CNV) que pode ajudar significativamente a forma de falar para, então, ser compreendido.


Então o que falar para ser compreendido?



Algo que pode diminuir a chance de falar e ser compreendido é onde colocamos o foco da nossa fala. Ou seja, onde está a mensagem principal do que queremos comunicar: nos nossos pensamentos, julgamentos, reclamações sobre a outra pessoa e uma situação? Ou naquilo que é de fato importante naquele momento? Marshall enfatizava com frequência: foco nos sentimentos e necessidades.


O mais importante na comunicação, para o Marshall, era o que se apresentava no momento presente, e ele traduzia isso com palavras de sentimentos e necessidades que pudessem transmitir para quem me escuta qual o centro da questão que estou trazendo ao me expressar. Por exemplo, uma vez recebi uma ligação de uma amiga que falava e falava sobre a arrumação que estava fazendo em casa, sobre o trabalho que estava tendo, as coisas que queria dar destino, e por aí vai. No meio da conversa notei que ela não queria apenas um desabafo sem comprometimento, ela queria ajuda! E como teria sido muito mais claro para mim, se desde o início da conversa ela tivesse exposto: "Nossa, estou tão cansada, sabe? Tá fazendo falta uma companhia para me ajudar a organizar tudo isso junto. Acho que seria até mais divertido."


Veja como nessa frase, simples, ela poderia acentuar aquilo que estava mais presente para ela naquele momento. Isto é, nomeando sentimentos e necessidades que estão envolvidos na situação, consigo aumentar as chances que a outra pessoa compreenda:


  • Como estou

  • O que estou tentando dizer

  • O que é importante para mim


E quem sabe consigo até dizer como ela pode contribuir para minha vida! Mas esse é assunto desse texto.


Agora, como saber se fui compreendido?


Posso ficar na dúvida: ok, fui lá e falei, tinha clareza dos meus sentimentos e do que era importante para mim, como eu vou saber se a pessoa de fato me compreendeu? Marshall costumava brincar dizendo que às vezes encontramos o correio chacal na nossa comunicação, um sistema de postagem péssimo, em que enviamos mensagens lindíssimas apenas para vê-las chegando como pedras e carvões para outra pessoa (risos). Então para ele, um ponto bastante importante em como falar era o de checar se a mensagem enviada foi a mesma mensagem recebida.

Para isso há algumas maneiras:


  1. Pedir para pessoa repetir o que ela ouviu: isso me ajuda a saber o que ela entendeu exatamente do que eu quis dizer

  2. Perguntar "Como isso te chega?": mostrando que estou realmente curioso para saber como o que acabei de dizer afeta essa pessoa

  3. Revelar que para você seria um presente saber o que a pessoa compreendeu do que disse: isso aumenta as chances do outro lhe dizer de volta o que entendeu, pois ele confia que não é um teste de inteligência, e sim uma vontade genuína de se conectar


Quer ser compreendido? Perca o medo de falar


E se, na verdade, o problema para ser compreendido não está em como falar, mas sim o fato de não dizer muitas coisas? Algo que pode travar bastante nossa expressão é justamente a falta dela, os famosos não-ditos que se acumulam. Dizendo de outro modo, os não ditos são aquilo que gostaríamos muito de expressar, mas que por inúmeras razões seguramos, silenciamos, deixamos no ar, mas que a longo prazo podem acabar corroendo as relações. Pode ser que eu acredite que falar é pior porque vai gerar briga. Ou pode ser que eu já me considere meio explosivo e as pessoas sempre levam para o lado pessoal o que estou tentando dizer.


Será que é possível encontrar outro caminho? A CNV pode ser uma grande aliada nesse processo. Se quiser mergulhar um pouco mais em como é, na prática, expressar aquilo que você realmente quer que o outro entenda, perder o medo de pisar em ovos ou acabar com a relação por falar algo, ou ter mais habilidade para trazer sua verdade sem que ela pareça com uma bomba atômica no meio da relação, vem com a gente para o treinamento Fale: Expressão Autêntica que Conecta. Nele iremos explorar ainda mais esse aspecto tão importante da CNV, como me expresso, com verdade, integridade e clareza. Clique neste link para saber mais e trocar uma ideia conosco.


Além disso, você pode querer passear pelo ebook CNV para além da linguagem, que olha o que pode estar além de uma "técnica" para se comunicar, o que chega antes do que eu falo?


Vamos adorar saber como esse texto te toca. Se quiser seguir a conversa conosco, coloca seu comentário aqui em baixo.


Autora: Luciana Dantas