Mantendo a Compaixão na Crise que Estamos Vivendo

Uma das perguntas que guiou o movimento de pesquisas de Marshall Rosenberg ao encontro da Comunicação Não Violenta tem relevância especial para os dias que estamos vivendo.

“O que faz algumas pessoas se manterem conectadas com sua natureza compassiva mesmo em tempos de crise e adversidade?”

O que faz com que possamos nos centrar, conectar com o nosso lado mais sábio e generoso? A resposta para essas perguntas está de maneira simples e extremamente profunda na descrição das Necessidades Humanas Universais sugeridas por Marshall e o reconhecimento e conexão com elas.


Tudo começa com a sabedoria de reconhecer nossas Necessidades e quantas delas temos já atendidas.


Para hoje, podemos nos conectar com a abundância que temos em meio a tudo o que tem nos acontecido. Podemos respirar, sentir o ar entrando pelas nossas narinas e enchendo nosso pulmões com vida. Podemos parar e apreciar o que há de belo em nossas janelas e transformar criativamente o que nem tão belo é em história para contar. Podemos nos debruçar em redes sociais, discutir assuntos polêmicos ou somente relaxar em nosso conforto. Podemos refletir, pensar, evoluir e mais: temos escolha, autonomia, liberdade mesmo em meio ao caos.


Sentimentos gostosos chegam fazendo carinho quando sabemos que estamos nutridos, atendidos em nossas necessidades tão valiosas. E pela certeza desse valor, é o oposto que acontece quando vemos alguém que não as tem. 
Ao pensar na dificuldade para alguns de adquirir ar para seus pulmões pela doença que se instala, ou na dificuldade de se comunicar por não saber ler e escrever, ou ainda na impossibilidade de relaxar por não ter um espaço seguro, já nos conectamos com sentimentos desconfortáveis, uma angústia que nos leva a querer tirar com a mão o sofrimento que vemos. Acende em nós a compaixão natural que temos ao vermos o outro sem suas necessidades atendidas. E é aí onde encontramos o a realidade que todos compartilhamos.

Percebemos que, no fim, todos buscamos algo muito parecido, criamos as mais diferentes estratégias simplesmente para atender essas necessidades tão valiosas universalmente.

Acessamos um nível de conexão com nossa humanidade tamanho que nos permite diferenciar as estratégias , por vezes trágicas, que alguém escolhe para cuidar do que é importe para si, de sua própria identidade, de sua humanidade. Deixamos de ver rótulos como de certo, errado, louco, intransigente, bom ou mau e passamos a ver alguém agindo em direção de suas necessidades, um humano, as vezes desconectado de sua natureza compassiva, mas um humano. Nos embebedamos então de empatia e compaixão.


Muito distante de concordar ou incentivar atitudes que não servem à vida de todos, a empatia e compaixão nos conectam com o ponto de acesso ao outro, com a possibilidade de dizermos nossa verdade sem ceder, deixar passar ou amenizar qualquer atitude, escutando o que é importante para o outro cuidando para fazer a vida mais maravilhosa para todos.


É dessa energia que estamos mais precisando hoje, e é ela que nos faz seguir por aqui trazendo formas de relembrarmos como acessa-la. A Comunicação Não Violenta e a escolha das palavras que complementam essa energia é o caminho que escolhemos por aqui. Vamos juntos criando a realidade que queremos ver acontecer.


Autora: Liliane Sant'Anna

Brasília - DF

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