Mitos da CNV - Parte #01

Quando entramos em contato com a Comunicação Não-Violenta acabamos nos deparando com alguns mitos. Julgamentos ou rótulos que são criados com o tempo e que acabam nos afastando da real essência da CNV. Abaixo seguem alguns que listamos para vocês.

1 - CNV só serve pra quem é Violento e agressivo? 


A primeira reflexão que abrimos quando vemos essa pergunta é: mas o que é violência afinal?

Ser violento, para nós, é não estar disposto a escutar (a si ou ao outro) naquilo que é mais importante, em uma visão generosa de nossa humanidade. É seguir em uma tendência de estar certo/errado questionando o ser e não suas ações. É uma violência invisível que gera culpa, vergonha e medo em nossas relações.

No fundo, todos seguimos, em alguma medida, nesse paradigma que aprendemos ser a única forma de sobrevivermos em comunidade. A CNV traz a alternativa para esse paradigma, onde é possível olhar a conexão autêntica e profunda consigo e com outros como alternativa para criar relações que crescem. E a partir do momento em que nos dispomos para crescer nossas relações e fazer da nossa vida conjunta mais maravilhosa, contaminamos os outros a fazerem o mesmo.

Por isso, a CNV é para todos!


2 - CNV é falar de forma gentil e calma?


CNV é conexão! Já reparou o que acontece quando tentamos falar de forma muito calma com alguém que está com muita raiva? Isso mais conecta ou disconecta o outro?

Na nossa experiência, vemos que a energia com que o outro fala é um dos caminhos de conexão, por isso, em alguns momentos se faz necessário alinhar o tom de voz ou o ritmo da fala para chegar ao que o outro realmente precisa (suas necessidades) e assim podermos também falar sobre o que pra nós é importante (nossas necessidades).

A partir daí, podemos viver o convite da CNV de nos expressarmos autenticamente aumentando a qualidade de conexão com o outro, ao invés de afastá-lo.

Conectados e sabendo o que é tão importante para cada um de nós, podemos criar, juntos, uma nova alternativa e, assim, fazermos a vida mais maravilhosa.


3 - Só é possivel utilizar o processo da CNV com quem a conhece?


Quando saímos de um curso de CNV ou ao lermos o livro começamos a julgar impossível aplicar o que aprendemos com pessoas que não tenham tido acesso ao mesmo conteúdo.

Se expressar a partir da CNV é se expressar a partir do que é mais importante e valioso para você, a partir do que você está buscando preservar ou atender com a sua fala, ou seja, é contar para o outro as necessidades que estão vivas em você naquele momento.

A beleza de se expressar trazendo luz às necessidades está na característica de serem universais: todos nós seres humanos as sentimos, encontramos nelas a nossa humanidade compartilhada.

O que acontece então quando me expresso a partir de necessidades? Aquele que ouve se reconhece em minha fala por identificar em si as mesmas motivações, fica possível então se afastar dos julgamentos presentes, e a qualidade da conexão aumenta.


Mas... e quando o outro chega com uma expressão carregada de julgamentos com muita intensidade de emoção?

A CNV te convida a ouvir além daquilo que está sendo falado, a prática permite que você escute as necessidades por trás do que está sendo dito: quando você conta ao outro a necessidade que escuta, ele/ela começa a se conectar com o que aquela emoção está buscando preservar ou atender. Nesse lugar a magia da CNV acontece: ao identificar as necessidades presentes, a emoção se dissipa e o caminho para co-criar soluções naturalmente se apresenta.


Autora: Liliane Sant'Anna

Brasília - DF

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