Relato de empatia

A palestra é interrompida por uma mão trêmula levantada. Era um senhor sentado na primeira fileira que em seguida disse:


"Tenho uma condição grave de saúde. Preciso de um medicamento que uso todas as noites para dormir. Caso eu não use posso morrer durante a noite... Mas, desde que cheguei de viagem, ao entrar na farmácia, simplesmente não compro o medicamento. O que tem de errado comigo?"

O palestrante, Marc, respira fundo e olhando em seus olhos se aproxima do homem que aguarda uma resposta. Marc então diz:


"Imagino que esta doença tenha provocado algumas mudanças em sua vida. Em alguns casos como este podemos sentir que perdemos nossa autonomia. Isso lhe faz sentido?"


O homem agora já com lágrimas nos olhos faz que sim com a cabeça enquanto uma pessoa da plateia lhe entrega um lenço. O palestrante segue então:


"Você está se sentindo triste pois para você seria importante ter mais autonomia e liberdade?"

Após alguns momentos de silêncio, responde:


"Sim. Acabei de perceber que escolho não comprar o medicamento como forma de dizer para mim mesmo que não sou obrigado a isso, que ainda tenho liberdade de escolha e poder pessoal. Me emociono ao perceber o quanto estou correndo risco por isso. Não quero morrer."


Depois de uma profunda respiração, transmitindo uma maior leveza na fala o homem conclui:


"Obrigado por me ajudar a perceber o que eu realmente estava buscando. Já me sinto aliviado e forte para sair daqui e comprar o medicamento que preciso."

Este relato se passou com nós da equipe do Instituto em uma palestra que ministramos em parceria com o treinador Marc Avanzo em Brasília, em 2019.


Ele nos lembra do poder de transformação e cura da empatia. A empatia é uma necessidade humana universal, ou seja, todos nós precisamos de empatia. Por outro lado, é interessante lembrar que nós não damos empatia. Nós oferecemos a nossa presença, estando completamente com a outra pessoa. A experiência da empatia acontece quando a pessoa que recebe a nossa presença sente que foi plenamente compreendida.


E, assim como pudemos testemunhar durante essa palestra, coisas incríveis podem acontecer depois de recebermos empatia. Uma delas é que a própria pessoa chega às estratégias ou conclusões que precisava.


São em interações como essa com a Comunicação Não-Violenta que nos encantamos com a sua simplicidade e o seu poder de transformação.


Brasília - DF

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