Sobre Não-Ditos

Você já teve a sensação de que algo não declarado está incomodando e interferindo na qualidade do relacionamento com alguém que você ama?


Ou, talvez, tenha percebido que algo está diferente com aquele colega de trabalho e vocês não tem mais se falado ou saído pra almoçar juntos, como costumavam fazer. Algo assim já se passou com você?


Seja na vida pessoal, com aquelas pessoas mais próximas, seja no ambiente profissional, com pessoas que trabalham conosco há tempos e nos apoiam a alcançar resultados, às vezes, nos deparamos com uma interferência significativa na qualidade do nosso relacionamento. Nos aparece uma certa confusão por não sabermos o que está acontecendo e, de repente, percebemos que a conexão está ficando cada vez mais difícil e instável, perdemos a fluidez, a leveza e a abertura de antes. E o que é pior: esta impressão de que algo não está bem nos conduz a desconexão: Um muro se instala entre nós!


Há vários motivos que podem estar contribuindo para que isto aconteça e, por vezes, não há abertura ou confiança suficiente para trazê-los a tona... Como dizia Marshall Rosenberg:


“por trás de toda e qualquer ação, há uma necessidade que está buscando ser satisfeita”.

Não raro, não se fala sobre os incômodos exatamente por medo de que isso impacte a convivência, gere conflitos ou leve a ruptura daquele relacionamento. De forma consciente ou inconsciente, busca-se preservar as necessidades de harmonia, paz e tranquilidade.

O problema é que, ao não falar sobre o que está acontecendo, os sentimentos ligados ao incômodo (tristeza, irritação, raiva ou outro) vão se acumulando e gerando um alto ruído na comunicação.


Os não-ditos acabam por minar a conexão.

E isso pode resultar exatamente no contrário daquilo que você está buscando.

Ao não se expressar sobre seu desconforto ou buscar saber qual está sendo a experiência do outro, os dois perdem uma linda oportunidade de se expressar e de se escutar, chegando à compreensão mútua e caminhos que servem à relação.

E você pode estar se perguntando: Mas, se o outro não fala nada, o que eu faço? Como vou saber o que está acontecendo?


O melhor caminho para convidar a expressão de não-ditos é a própria expressão! Uma expressão honesta, curiosa e generosamente conectada com a intenção de compreensão.

Você pode expressar ao outro o que você está sentindo naquela situação (talvez confuso, triste, chateado?) e o quanto você valoriza a conexão de vocês (bem como a parceria, o amor, o diálogo, a companhia) e, a partir disto, fazer pedidos de compreensão ou conexão...


Como tem sido a experiência dos últimos dias para você? Como te chega isso que estou te contando agora?


É incrível como a nossa expressão honesta e autêntica, contando ao outro que a nossa relação e a conexão com ele nos importa, abre portas para a expressão do outro!


Um próximo passo é colocar-se disponível e aberto para o que está vivo no outro, escutando-o com empatia, nutrindo uma curiosidade para compreendê-lo... não para responder, se justificar ou argumentar que "não é bem assim", mas para entender como o outro experimenta a situação de maneira distinta da sua.


Isso pode ser um tanto desafiador. Pode ser que você não concorde exatamente com o que está sendo dito. Pode ser que você tenha mil explicações de que isso ou aquilo não é diferente em sua perspectiva. Pode ser, ainda, que você concorde, mas... teve várias razões para isso e gostaria de se justificar. Porém,

o convite aqui é escutar abrindo espaço para ouvir além daquilo que está sendo dito.

Vou te dar um exemplo! Imagina que o outro pode te dizer:

“É lógico que tá acontecendo algo, ontem cheguei com as compras e você não moveu uma palha... continuou navegando no Instagram, como se não houvesse amanhã”.

Ainda que esta expressão lhe convide a uma reação imediata, você pode se perguntar (ainda que em silêncio): “Hummm... Será que ele estava chateado porque precisava de apoio? E talvez de parceria, empatia?”


Não seria incrível se pudéssemos dar ao outro a confiança de expressar os seus incômodos para, assim, cuidarmos da nossa relação?

A partir desta escuta diferenciada, o convite é voltar pra conversa trazendo a experiência para o outro dessa compreensão sobre seus sentimentos e necessidades. Lembrando que compreender e conectar é o grande objetivo nessa conversa.


Ao expressar e/ou ouvir os incômodos, podemos fazer escolhas que apoiem nosso autocuidado e, também, informar ao outro que as necessidades dele nos importam, que queremos cuidar e que, como ainda não sabemos como, temos abertura pra descobrir junto!


Chegar a esse nível de conexão exige prática e é isso que fazemos por aqui diariamente.

Nossos treinamentos são um convite a olhar para onde você está hoje e a descobrir caminhos para se tornar cada vez mais fluido nessa comunicação.


Saiba mais sobre nossos treinamentos aqui.


Autora: Cristiane Chaves

Brasília - DF

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