Comunicação Não-Violenta (CNV): O que é e como praticar

Você quer descobrir o que é Comunicação Não-Violenta, pois deseja encontrar uma linguagem que gere mais conexão? Se sua resposta é sim, que bom que chegou até aqui!

A prática da Comunicação Não-Violenta (CNV) nos apoia a desenvolver competências para estar menos reativos e mais conectados ao que realmente é importante em uma conversa, em um relacionamento ou em uma negociação. E isso pode ser, ao mesmo tempo, simples e revolucionário.


O que é Comunicação Não-Violenta (CNV)?


É comum as pessoas procurarem "o que é a Comunicação Não-Violenta" na tentativa de resolverem problemas com o chefe ou com o filho, por exemplo. Mas, na verdade, em um primeiro momento, o que ela oferece é mais consciência de si, de como o outro nos afeta e de como reagimos no mundo em que vivemos.


Marshall Rosenberg, sintetizador da CNV nos convida a respirar, mudar nosso foco de atenção e se perguntar:


· O que realmente aconteceu? (Observação)

· Quais sentimentos surgem? (Sentimentos)

· O que preciso nesse momento? (Necessidades)

E, assim, conectado com essas três respostas, fazer um Pedido.

Essa sintonia entre o que sentimos, precisamos e expressamos, nos torna mais verdadeiros, mais confiáveis e, naturalmente, isso se desdobra para a outra pessoa como uma experiência de maior conexão. E a possibilidade de resolvermos qualquer coisa quando há conexão aumenta sensivelmente. Curioso para entender mais? Vamos detalhar cada um desses componentes agora.

Os 4 componentes da CNV


Observação - A observação conduz o nosso foco de atenção a perceber o que foi dito ou feito, desassociando os fatos dos julgamentos. Em outras palavras, na Comunicação Não-Violenta, chamamos de observação o que os nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) puderam captar. Bem simples, né? Porém, nosso cérebro nos “prega algumas peças”, pois temos o hábito de misturar os fatos com as nossas interpretações e os nossos julgamentos. Quando aprendemos a observar pela ótica da CNV, aprendemos também a definir comportamentos sem acrescentar diagnósticos. Quer ver um exemplo? Veja como a observação “Semana passada tentei falar contigo três vezes sobre esse assunto” é diferente do julgamento “Você nunca tem tempo pra mim”.

Sentimentos - a partir de um fato, é importante identificar o que você está sentindo.

É comum dizermos: “tô me sentindo distante do meu irmão”, misturando o que pensamos com o que sentimos. O desafio é que não fomos alfabetizados emocionalmente. A comunicação não-violenta nos ajuda a explorar a forma com que os acontecimentos nos afetam e a ampliar o vocabulário de sentimentos. Nesse caso, podemos nos perguntar: “quando percebo que estou distante do meu irmão, como me sinto”? Talvez triste?Frustrada? Sozinha? O sentimento sinaliza que preciso prestar atenção em algo que é importante pra mim e não estou tendo naquele momento.


Necessidades - são a motivação para darmos o próximo passo. O Marshall gostava de dizer que necessidades é “a vida que quer fluir”. Todos nós, seres humanos, temos as mesmas necessidades, por exemplo: segurança, conforto, abrigo, expressão, liberdade, evolução, descanso... Através delas, temos uma realidade compartilhada da nossa humanidade, mesmo que as nossas estratégias para alcançá-las sejam diferentes. Posso afirmar que eu e um esquimó temos necessidade de segurança - minha estratégia para alcançá-la é trancar a porta de casa, mas para um esquimó pode ser colocar armadilhas para lobos, por exemplo. Nosso cérebro vai sempre nos indicar estratégias conhecidas e seguras para atendermos as necessidades e, assim, criamos modelos de comportamento. Assim como os sentimentos e pensamentos, é comum misturarmos as necessidades com as estratégias que estamos usando para atendê-las. Quer aumentar o seu vocabulário de necessidades? Clique aqui para baixar a lista de sentimentos e necessidades.

Pedidos - é a forma como você expressará o que pode ser feito para atender as suas necessidades. Quando pensamos em pedidos, vale ter consciência daquilo que desejamos que a outra pessoa faça e, também, com qual motivação deseja que a outra pessoa faça. É normal nos dias de hoje pedirmos o que não queremos. Na proposta s pedidos devem ser positivos - devo pedir o que quero que aconteça. Eles também devem ser o mais específico possível - a outra pessoa não tem obrigação de saber como queremos que nossas necessidades sejam atendidas. E por último, deve ser temporal - colocar no pedido um prazo para ele ser atendido, apoia a não gerar expectativas e isso certamente contribui para o entendimento mútuo. Mas, acima de tudo, o pedido não deve ser uma exigência. Ao fazer o pedido, devemos estar aberto ao "não", para que a pessoa possa ter escolha de atendê-lo.




Como praticar a Comunicação Não-Violenta?


Dito isso, podemos partir para como praticar a Comunicação Não-violenta, buscando alcançar resultados de benefícios mútuos.


Antes mesmo de entrar numa conversa e usar os 4 componentes na sua expressão, é importante fazer um exercício de auto-conexão: perceber o que você está sentindo, identificar as suas necessidades e, sobretudo, investigar a sua intenção.


Pergunte-se: O que desejo com essa conversa? Qual a minha intenção aqui? Se for para mostrar que seu ponto de vista está certo ou errado, ou se deseja que a pessoa atenda a sua necessidade como uma exigência, pare!

A CNV não é uma fórmula mágica para manipular resultados em diálogos difíceis, mas, sim, um caminho para reconhecermos quem somos, quem são as pessoas que nos cercam e o que é possível construir juntos, através das nossas escolhas de como seguir.


Com isso em mente, podemos seguir com empatia ou honestidade.

A empatia é uma ferramenta poderosa, transformadora e profundamente prazerosa, pois nós, seres humanos, instintivamente, sentimos prazer em contribuir para a vida do outro. Através da empatia, escuta e curiosidade, podemos traduzir falas em necessidades.

Ao escutar, meu foco de atenção pode estar nas perguntas: O que esta pessoa está sentindo? O que será que ela está precisando? E, conforme a escuta atenta for se desenvolvendo, fazer hipóteses empáticas em silêncio: Será que ela está chateada porque precisa de apoio? Será que ela está se sentindo sozinha porque precisa de parceria? Será que ela está se sentindo irritada porque precisa de espaço?... são muitas as possibilidades e surgirão a partir da curiosidade genuína de compreender a experiência do outro. Não significa que devo concordar, mas, sim, focar minha atenção na busca de compreensão das motivações. E, se temos abertura, podemos perguntar diretamente ao outro se é isso que ele está sentindo e precisando, dando a ele a oportunidade de dizer se é isso ou não. Empatia é acompanhar a expressão do outro. Então, vá com tranquilidade para escutar, sem expectativa de dar soluções.




Uma outra forma de seguir é expor a nossa verdade com amor através da honestidade. Gosto desse termo “verdade com amor” porque deixa claro que minha intenção é ser íntegro com as necessidades que estão vivas em mim, sem ter a intenção de ferir o outro. Ser honesto em um diálogo pode ser desafiador, mas fica mais fácil quando falamos de fatos, citamos como nos sentimos, mostramos o que é importante ali e pedimos de forma clara como o outro pode contribuir com a nossa vida. Usar a consciência e estrutura da CNV, na hora de se expressar, propicia a compreensão mútua. Um exemplo dessa expressão pode ser: "Quando te liguei hoje e você disse: "não quero falar com você agora", fiquei triste, porque valorizo conexão e diálogo. Também fiquei confusa, querendo clareza de quando isso será possível. Podemos conversar amanhã pessoalmente amanhã, às 19h?"


E, na prática, a expressão honesta e empatia vão mutuamente se apoiando na construção do diálogo. Nessa hora, é importante priorizar que a conexão aconteça antes da solução e reforçar a intenção de compreensão mútua, antes de trazer respostas, justificativas e ações, são verdadeiramente “o pulo do gato” para experimentarmos conversas significativas e construirmos soluções “ganha-ganha”.


Integrar a CNV na sua vida é aprender a dançar nos ritmos da autoconexão, da empatia ou da honestidade.

Exercícios que você pode começar a fazer hoje


Para a prática da autoconexão durante um episódio, um exercício rápido pode ser tomar um tempo e refletir sobre aquelas perguntas que o Marshall nos trouxe:

- O que, de fato, aconteceu aqui?

- O que estou sentindo?

- O que estou precisando?

- Há algum pedido que possa fazer agora?


Para a prática da expressão honesta, você pode experimentar contar ao outro:

- O que aconteceu.

- O que você está sentido.

- O que está precisando.

- E como ele pode contribuir para a sua vida, na forma de um pedido, ou simplesmente perguntando como o que você disse chega até ele.

Se quiser compreender um pouco mais sobre isso, na prática, confira um dos nossos vídeos do nosso canal do YouTube, em que a Jade conta sobre como quebrar o silêncio e fazer um pedido, clicando aqui.


Para a prática da empatia, você pode experimentar ouvir o outro com curiosidade, focando a sua atenção nas seguintes perguntas:

- O que o outro está sentindo?

- O que o outro está precisando?

Se quiser compreender um pouco mais sobre a empatia, na prática, confira um dos nossos vídeos do nosso canal do YouTube, em que a Erica Moulin e a Luciana Dantas contam sobre a prática da escuta empática, clicando aqui.


Quanto mais praticamos a CNV, mais vamos fortalecendo as nossas habilidades para reconhecer julgamentos, fazer uma checagem de como estamos diante de uma situação, expressar nossa honestidade e ouvir o outro com mais empatia.


Se ainda não deu seu primeiro passo na jornada de aprendizagem da CNV, conheça o nosso curso introdutório clicando aqui.


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Autora: Erika Moulin