Mitos da CNV - Parte #02




Quando entramos em contato com a Comunicação Não-Violenta acabamos nos deparando com alguns mitos. Julgamentos ou rótulos que são criados com o tempo e que acabam nos afastando da real essência da CNV. Abaixo seguem alguns que listamos para vocês.


Expressar raiva é ser violento?


A associação que fazemos da raiva com a violência é quase inevitável, afinal, quanta violência teve a raiva como pano de fundo, não é mesmo? Mas já parou pra pensar que nem toda manifestação de raiva é violenta?

A raiva, como qualquer outra emoção, nos mostra que alguma de nossas necessidades mais profundas está ou não está sendo atendida.

É a manifestação dessa necessidade, acompanhada da raiva, que faz com que a comunicação seja não-violenta e ainda assim autêntica.

Ao invés de optar pela opção de se calar, e acabar por ser passivo agressivo, ou ainda de manifestar a raiva desconectada da real necessidade que está ali, e assim sermos violentos, podemos optar por reconhecer a mensagem importante que ela vem trazer e conversar a partir daí.

Mas, é claro, nos momentos de raiva mais intensa, onde não é possível conectar com as necessidades, parar a conversa é a melhor opção, até que a vontade para olhar para o que é importante pra você e para o outro naquela situação apareça e assim seja possível, enfim, falar autenticamente e de forma não-violenta.


CNV é evitar conflito?


Mas o que é um conflito afinal? Há muitos que acreditam que o conflito é a manifestação violenta de uma diferença de ideias. Na CNV, diferente disso, vemos o conflito como o simples fato de termos quereres ou opiniões distintas. E é nessa resolução que podemos ser não-violentos.

Portanto, conflitos são muito bem vindos! São as oportunidades que temos de sermos autênticos e de cuidar do que é importante para nós e para o outro.

A diferença entre um conflito e uma briga, para nós, está justamente no que se traz para uma conversa.

Se conversarmos somente sobre o que queremos, sobre o que é certo ou errado ou sobre o que sentimos sem trazer nossas necessidades ou pedidos, não há possibilidade de conexão e sim espaço para violência.

Conectados com nossas necessidades humanas mais profundas, e conversando sobre elas, podemos fazer de um conflito um lindo caminho de conexão, onde procuramos atender nossas necessidades conjuntamente com pedidos e resoluções.

Evitar o conflito, pelo contrário, pode trazer a violência invisível, e fazer com que uma relação se torne cada vez mais distante, dificultando a possibilidade de conexão.


Tenho que sempre escutar empaticamente?


Então vou ter que ficar lá ouvindo a pessoa falar tudo aquilo e só escutando sem julgamentos, sem interromper e buscando compreender os sentimentos e necessidades do outro a todo momento?

A resposta é não. Você não “tem que. A Comunicação Não-Violenta fala, em grande parte, da nossa violência contra nós mesmos. É importante você estar consciente do que se passa com você, reconhecer os seus limites e encontrar formas de expressá-lo.

Viver a partir da não-violência é, às vezes, falar para a outra pessoa que nesse momento você não conseguiria escutá-la ou até mesmo fazer um pedido de espaço para falar e receber empatia.

Em algumas ocasiões a emoção pede que a conversa seja interrompida e reiniciada em um momento posterior.

Um outro lado dessa questão é que podemos abandonar a ideia de que preciso escolher entre cuidar de minhas necessidades ou cuidar das do outro. O convite da CNV é que busquemos escutar, suspender julgamentos, reconhecer emoções e necessidades para dar espaço a ouvir o outro e criar saídas criativas em conjunto. Essa troca empática e honesta abre espaço à abundância de possibilidades e novos caminhos.


Autora: Liliane Sant'Anna

Brasília - DF

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